The Language
Locate I
love you some-
where in
teeth and
eyes, bite
it but
take care not
to hurt, you
want so
much so
little. Words
say everything.
I
love you
again,
then what
is emptiness
for. To
fill, fill.
I heard words
and words full
of holes
aching. Speech
is a mouth.
A Linguagem
Perceba Eu
te amo algum
lugar en-
tre dentes e
olhos, morda
mas
tome cuidado
para não ferir,
você tão
pouco quer tan-
to. Palavras
dizem tudo.
Eu
te amo
de novo,
o que
é vazio
para. Pre-
encher. Encher.
Ouvi palavras
e palavras cheias
de buracos
doendo. Fala
é a boca.
© 1987 Robert Creeley
tradução: Régis Bonvicino
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Robert Creeley
Marcadores:
convidados,
language,
linguagem,
Régis Bonvicino,
Robert Creeley,
tradução
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
intro-
sua
glande
lábia
sua
pará_
bola
seu
veneno
...grandes
e pequenos
lábios
valéria tarelho
glande
lábia
sua
pará_
bola
seu
veneno
...grandes
e pequenos
lábios
valéria tarelho
Marcadores:
intro,
lábia,
palavras,
valéria tarelho
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
jeans
A carne forçada
sob a calça jeans
quase explode
querendo sair.
O tecido vibra
fibra a fibra
trêmula grade
implodido jardim.
Enquanto a carne
flora pura
implora em si.
© Frederico Barbosa
do livro: "Contracorrente", Ed. Iluminuras, 2000, SP
sob a calça jeans
quase explode
querendo sair.
O tecido vibra
fibra a fibra
trêmula grade
implodido jardim.
Enquanto a carne
flora pura
implora em si.
© Frederico Barbosa
do livro: "Contracorrente", Ed. Iluminuras, 2000, SP
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
pouco me lixando
meu verso é lixo
e recolho pelo chão da sala
pelo piso da cozinha, atrás dos móveis
por debaixo dos tapetes
em meio a restos de tão pouco
montanhas e mais montanhas de ainda menos
nas prateleiras não há nada, leve o quanto quiser.
minha rua é um deserto
a vizinhança é o meu peito aberto
cravado de balas e migalhas de biscoito
estou sempre convidado a beber meu chá das oito
que às cinco é outra droga, algum esterco tipo oriental
e das seis às sete pratico yôga e me perco no quintal.
eu sou meu próprio eco, meu reflexo no espelho
é quando a deus mais me assemelho
eu sou meu lar
doce e amargo endereço, qualquer lugar
sou eu mesmo a qualquer preço
respiro meu próprio ar
eu sou meus versos, sou todos os meus lados
meus passados passos reciclados
-prazer, me chamam rodrigo!
eu sou tudo que trago comigo
e não descarto por puro romantismo.
sou mesmo isso
sou meu mais nobre e repugnante monte de lixo.
© rodrigo mebs
e recolho pelo chão da sala
pelo piso da cozinha, atrás dos móveis
por debaixo dos tapetes
em meio a restos de tão pouco
montanhas e mais montanhas de ainda menos
nas prateleiras não há nada, leve o quanto quiser.
minha rua é um deserto
a vizinhança é o meu peito aberto
cravado de balas e migalhas de biscoito
estou sempre convidado a beber meu chá das oito
que às cinco é outra droga, algum esterco tipo oriental
e das seis às sete pratico yôga e me perco no quintal.
eu sou meu próprio eco, meu reflexo no espelho
é quando a deus mais me assemelho
eu sou meu lar
doce e amargo endereço, qualquer lugar
sou eu mesmo a qualquer preço
respiro meu próprio ar
eu sou meus versos, sou todos os meus lados
meus passados passos reciclados
-prazer, me chamam rodrigo!
eu sou tudo que trago comigo
e não descarto por puro romantismo.
sou mesmo isso
sou meu mais nobre e repugnante monte de lixo.
© rodrigo mebs
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
umbigo

umbigo:
entremeio obscuro
furo
entre fenda e seios
senda
da sua libido
vereda
em que passeiam
língua e dedos
orifício
que permeia
o desejo
poço
a um passo
de meu sexo
valéria tarelho
publicado no Livro da Tribo 2005 pgs. 170/171
ilustração de José Carlos Martinêz,
especialmente para a agenda
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
storyboard
No lado de dentro
Teus dedos diretos
Em movimentos macios
Eretos como falo
Em contato com o rio
Fluente alvo que verte
E vadio se diverte
Quando escancaro
Na tua boca
(entre as coxas)
as pequenas fendas
Em rendas e labaredas
Para que me metas
Apenas o que eu mereça...
© Sandra Regina
Teus dedos diretos
Em movimentos macios
Eretos como falo
Em contato com o rio
Fluente alvo que verte
E vadio se diverte
Quando escancaro
Na tua boca
(entre as coxas)
as pequenas fendas
Em rendas e labaredas
Para que me metas
Apenas o que eu mereça...
© Sandra Regina
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
noturno

imagem: "emptiness" © tom persinger
eu
adepta dos venenos
(lentos-letais)
dos 'poemácidos'
alucinógenos
eu das carnes cruas
das palavras acres
das idéias kamikazes
eu e meu
harakiri
de araque
eu talvezquemsabe
dust in the wind
cheirando a pó
eau de álcool & tabaco
eu (aquela)
de nós cegos
do (só meu)
desassossego
da sua (evi[l]dente)
sequela
eu
dos vôos solos
na boléia
brindando a boemia
em co[r]pos de geléia
valéria tarelho
segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Ela chegou quando outubro se foi
adentrando a estação do suor ofegante
Ela chegou molhada com aroma de pérolas de pétalas de plumas
os peitos arfantes
as pernas à mostra
os olhos de um verde duvidoso
os cabelos de fogo
os cabelos...
Ela chegou muda
do avesso um mutante
personagem estonteante de uma obra de ficção
(lembrem-se: era outra estação)
Eu o eterno prolixo
ironizei aquela modernidade
e averso à mudanças
parti
sidnei olivio
domingo, 31 de agosto de 2008
caos

citação de Goethe cartões Benedito
a vida anda lerda
arrasta-se lesma
marcha-lenta
mescla de merda
com porra alguma
a vida [boca suja]
bamba na corda
pega no tranco
leva na bunda
a vida anda nas últimas
goza nas coxas
cochila no ponto
a vida anda às cegas
fraca das pernas
no osso do ócio
no fundo
a vida desanda
e não enxerga
a medida do poço
a vida está um caco
um buraco cósmico
tremendo saco
anda puta da vida
e ainda declama
seu caos tragicômico
a vida poeta
percebe poesia
no olho do
vácuo
Assinar:
Postagens (Atom)