domingo, 31 de agosto de 2008

caos


citação de Goethe cartões Benedito


a vida anda lerda
arrasta-se lesma
marcha-lenta
mescla de merda
com porra alguma

a vida [boca suja]
bamba na corda
pega no tranco
leva na bunda

a vida anda nas últimas
goza nas coxas
cochila no ponto

a vida anda às cegas
fraca das pernas
no osso do ócio

no fundo
a vida desanda
e não enxerga
a medida do poço

a vida está um caco
um buraco cósmico
tremendo saco

anda puta da vida
e ainda declama
seu caos tragicômico

a vida poeta
percebe poesia
no olho do
vácuo

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

( Felipe Vasconcelos )

Mesmo rabiscada
a vida sai tal e qual,
cuspida e escarrada.


site do poeta: espírito da coisa




se a vida estiver
com rasura
das duas, uma
:
gozo no limbo
ou passo
essa zorra
a limpo

[quem sabe
aplique
um corretivo

ou apague toda
essa porra]


valéria tarelho

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

ácido

(sebastião martins)


sou sulfúrico
sou muriático
sou cianídrico
sou problemático

quimicamente
me despeço

sorumbático.


blog do poeta: poesia & cia.


L. S. D.ada

(valéria tarelho)

era eufórica
era enfática
era excêntrica
era extasiática

[extrema
          mente easy
e gostosa
pra cacete]

caí no papo
de um tipo
“cachorrácido”

[e o f. d. p.
me comeu
gostoso]

sou esse fundo
de poço

puro osso

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Ab imo corde

(Andréa Motta)


Está escrito numa folha de avenca,
Minh'alma tem cheiro, sabor e cor
                               de esterco !

Fertilizo o chão escarlate
                         e florescem
jasmins bondade sabiás
acácias saudade rouxinóis
alecrim felicidade curiós

Urubus
Despejam fel
         ab hoc et ab hac!
até sobrevir a seca,
         Ab initio
           Absinto

Onde foi parar a emoção
            de tomar uma criança
                                 pela mão
e ensina-la a sentir o canto do mar?

Tudo o que se vê
são sombras bordejantes
deambulando pelas letras
sem ar
sem par
sem lar
Azimute!

Onde estás,
oh... lume das paixões
                   onde estás,
sob escombros intelectuais?


~> blogs da autora :

jardim de poesia
bordando essências


segunda-feira, 27 de agosto de 2007

direto e reto

sê inteiro
- íntegro -
como quando ladrilhos
testemunham teu íntimo

sê genuíno
tanto em público
como quando ficas
recluso

(e defecas
- fidedigno -
no esgotomundo)

ante
seu ego
ecos outros
ascos
:
sê exato

(como quando
entre paredes
te rendes
ao mais lídimo
ato)

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

desabafo

sou essa a teus pés
pedinte

tapete de poemas
onde deitas
rolas

essa que te sustenta
com uns versos meia-boca
[os que comes
cospes fora]

sou essa a teus pés
disposta

vira-me do avesso
dilacera-me os pedaços
goza em meus restos
faz-me pasto

pisa-me [poesia]
que eu me arrasto

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

cor-respondência

(Elisa Lucinda)

Remeta-me
os dedos
em vez de cartas de amor
que nunca escreves
que nunca recebo.
Passeiam em mim estas tardes
que parecem repetir
o amor bem feito
que você tinha mania de fazer comigo.
Não sei amigo
se era seu jeito
ou de propósito
mas era bom
sempre bom
e assanhava as tardes
Refaça o verso
que mantinha sempre tesa
a minha rima
firme
confirme
o ardor dessas jorradas
de versos que nos bolinaram os dois
a dois
Pense em mim
e me visite no correio
de pombos onde a gente se confunde
Repito:
Se meta na minha vida
outra vez meta
Remeta.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

terça-feira, 21 de agosto de 2007

hilda


é rígido e mata
com seu corpo-estaca
ama mas crucifica.

o texto é sangue
e hidromel.
é sedoso e tem garra
e lambe teu esforço.

mastiga teu gozo
se tens sede.é fel.

tem tríplices caninos.
te trepassa o rosto
e chora menino
enquanto agonizas.

é pai filho e passarinho.

ama.pode ser fino
como inglês.é genuíno.piedoso

quase sempre assasino.
é Deus.


(1930 - 2004)
em "poemas malditos, gozosos e devotos"
editora globo - 2005 (capa acima)
1ª edição em 1984

site oficial da poeta